Crise de ansiedade: o que fazer na hora
Começa sem aviso. O coração dispara, o ar parece que não entra inteiro, as mãos formigam e vem a certeza de que algo muito grave está acontecendo agora. Muita gente vai parar no pronto-socorro achando que é o coração, faz todos os exames e ouve que está tudo normal.
Ouvir que está tudo normal alivia por alguns minutos e depois incomoda, porque não explica o que você acabou de sentir. Então vale dizer de outro jeito: exames normais não significam que não aconteceu nada. Significam que o que aconteceu foi um alarme disparando sem incêndio.
Como costuma ser
- Coração acelerado, ou batendo tão forte que dá para ouvir
- Falta de ar, ou a sensação de que a respiração não completa
- Aperto ou dor no peito
- Formigamento nas mãos, nos pés ou em volta da boca
- Tontura, vista embaçada, pernas bambas
- Calor subindo, suor frio, tremor
- Enjoo, ou aquele frio na barriga que não passa
- A ideia de que você vai desmaiar, perder o controle ou morrer
O pico costuma chegar rápido, em poucos minutos, e depois começa a descer sozinho. Isso é o mais importante de lembrar no meio da crise: ela sobe, chega no topo e desce. Nenhuma crise fica no topo para sempre.
O que fazer nos primeiros minutos
- Solte o ar mais devagar do que puxa. Quatro segundos para inspirar, seis a oito para soltar. A falta de ar da crise quase sempre é ar demais, não ar de menos
- Sente e apoie os pés no chão. Pressione e sinta o contato. O corpo acredita mais no toque do que no argumento
- Nomeie cinco coisas que você está vendo, em voz alta se der. Tira a atenção do corpo e devolve para o cômodo
- Água gelada no rosto ou no pulso. Um estímulo forte ajuda a cortar o ciclo
- Diga o nome do que está acontecendo: isto é uma crise de ansiedade, e ela vai passar em alguns minutos
- Se der para evitar, não saia correndo do lugar. Fugir alivia na hora e ensina o corpo que aquele lugar é perigoso
O que costuma atrapalhar
- Respirar fundo e rápido várias vezes seguidas: piora a tontura e o formigamento
- Ficar medindo os batimentos. Quanto mais você mede, mais o corpo entende que há algo a vigiar
- Pesquisar no celular o que pode ser. A lista de doenças graves alimenta a crise
- Beber para cortar. Passa na hora e costuma voltar mais forte de madrugada
- Se cobrar depois. A cobrança vira medo da próxima, e o medo da próxima é o que mais mantém o ciclo
Depois que passa
O cansaço que vem em seguida é real: o corpo trabalhou muito em pouco tempo. Precisar do resto do dia mais devagar não é frescura.
Nas horas seguintes, anote o que veio antes: onde você estava, no que estava pensando, como andaram o sono e a comida naquele dia. Não é para achar culpado. É que as crises costumam ter um padrão, e o padrão só aparece quando está escrito.
Quando procurar avaliação
Procure um médico se for a primeira vez, se a dor no peito for forte, ou se algo parecer diferente das outras vezes. Dor no peito merece ser avaliada em vez de atribuída à ansiedade de antemão.
E se as crises se repetem, ou se você já organiza a rotina em volta do medo de ter outra, vale conversar com um profissional. Isso responde bem a acompanhamento, e quanto antes, mais simples.
Quando não dá para contar a ninguém
Muita gente passa por isso caladíssima, porque contar parece exagero e porque explicar já dá trabalho. Só que segurar sozinho costuma deixar a próxima maior.
Se agora não tem para quem contar, escreva. Uma frase basta: o que você sentiu e onde estava. Escrever tira aquilo do circuito fechado da cabeça e coloca em algum lugar onde ocupa menos espaço.
Se tem algo que você vem carregando calado, escrever sem colocar seu nome é um jeito de pousar isso.
Se o peso não passa, por favor não carregue sozinho.
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